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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

o mar parece estar mais calmo

não faço ideia de que horas eram. mas acho que isso não importa. era madrugada e, claro, a gente tava junto. a sua cama ainda tinha o cheiro de sempre: seu perfume misturado com cigarro e bebida. dava pra ouvir o som do mar, lá longe. de resto eu só ouvia sua respiração. e como ela me acalmava. a gente tinha aquela mania de dizer que odiava dormir grudado, mas engraçado como sempre lembro da gente aninhado depois de uma noite de sexo. dormíamos assim, colados, você ainda dentro de mim. as horas talvez nos afastasse um pouco, mas nossas peles insistiam em se tocar. desconfio que elas se amassem mais do que a gente. não sei. e não sei por que estou escrevendo no passado. ao mesmo tempo que tento digitar sem fazer barulho, sinto sua perna entrelaçada na minha. hoje o mar parece estar mais calmo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

relatos selvagens de um segundo mês sem tomar pílula

meus dedos deslizavam por suas costas. minhas unhas dançavam sobre sua pele. iam de cima pra baixo, de um lado a outro. lentamente alcançaram sua nuca, seus cabelos. se perderam em meio aos fios pretos, bagunçados. meu corpo chegou mais pra perto do seu. minha mão alcançou sua barriga. meus dedos agora vagavam por seus músculos. por seus peitos. ao mesmo tempo que desciam, minha boca começou a beijar suas costas, seu pescoço. meu corpo se juntou ao seu, meus peitos se espremiam em sua pele. meus lábios e minha língua permaneciam entorpecidos por sua nuca, enquanto minha mão ultrapassava, dedo a dedo, a sua cueca.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

o mal da sociedade contemporânea

quem tem fome tem pressa
quem tem medo também

chuvas só têm barulho porque batem em uma superfície

tédio.
fechei os olhos e ouvi os pingos, que batiam em superfícies diversas: chão, janela, ar condicionado, carros.
não que chuva seja sinal de tédio, não que tédio seja um sinal.
abri os olhos e me deparei com cores em tons pastéis: branco, bege, marrom claro, vinho desbotado.
não que tons pastéis sejam sinal de tédio, não que tédio seja um sinal.
abri a boca e perguntei sobre o que escrever a uma amiga na varanda: tédio.
eis que chuva é sinal de tédio, assim como tons pastéis.

sábado, 1 de outubro de 2016

30 de abril de 2015

Hoje acordei apaixonada por você.
O peito chegava a estar apertado. A saudade latejava pelo meu corpo.
Foram oito horas de um filme de amor com direito a final feliz.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

that wasn't sex, that was naked poetry

terça-feira, 17 de novembro de 2015

os amados não amores

é engraçado como sofro a perda de um amor que sequer virou amor
dos tantos seres que já beijei, me relacionei, troquei mais do que palavras, todos levaram parte de mim ao partirem
levaram o nós que poderíamos ter sido
é bonito saber que pedacinhos meus estão por aí, nesses não amores momentaneamente apaixonantes