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quinta-feira, 26 de setembro de 2024

nosso silêncio 

ensurdece minha alma

segunda-feira, 16 de outubro de 2023

Não importa o lugar


Não importa o lugar

Morada é onde o nosso corpo cola

Não importa o lugar 

Nossa pele junta é casa no mundo afora  


Saudade se faz presente 

Passado não sai da mente 

Você e eu somos um estado 

Dois países com encontro marcado 


Volta pra mim 

Meu beijo te espera 

Volta pra mim 

Seu cheiro ainda invade 

Meu sonho que diz (volta pra mim)


Não importa o lugar 

Morada é onde o nosso corpo cola

Não importa o lugar

Nossa pele junta é casa no mundo afora 


Não importa o lugar 

Morada é onde o nosso corpo cola

Não importa o lugar

Nossa pele junta é casa no mundo agora

(Me namora?)



27/09/2023 BL

sábado, 27 de março de 2021

- o que nos move?

- além das pernas?

- e do amor.

- o desejo pelo amor e pelas pernas.

quarta-feira, 22 de julho de 2020

tem um muro que separa a gente

tem um muro que separa a gente. toda manhã que você coloca gal no volume máximo, eu danço na sala. o cheiro do café e do pão de queijo (que às vezes você deixa queimar), me fazem lembrar de preparar meu pão com ovo. você acorda por volta das oito. eu já reguei as plantas, já fiz xixi e escovei os dentes. hoje tive um sonho bom: cafuné da vó, com direito a chocolate quente e nossas partidas intermináveis de buraco. ligo pra minha irmã, compartilho o sonho, a saudade. por que você tá chorando? queria te abraçar, mas tem um muro que separa a gente.
.
tem um muro que separa a gente. antes das oito você já está dando bom dia pras plantas. as janelas abrem, ouço o barulho da descarga. gosto de enrolar na cama. preparo meu café e imagino o que você vai comer. droga, queimei o pão de queijo. me preparo pra entrar no banho, ligo meu som no máximo, será que você gosta de gal? hoje você parece feliz, ouço sua risada uma, duas, três vezes. meu telefone toca, minha mãe mal consegue dar a notícia. minha avó. ouço sua máquina de lavar, pego a primeira roupa preta que vejo no varal. queria te abraçar, mas tem um muro que separa a gente.

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

só mais um gole

Mais um gole. Eu sei que já mentalizei isso no mínimo umas cinco vezes, mas dessa vez vai ser o último. Vodka, gelo, água de coco. Enquanto mexo o copo, olho pra você (por mais que você diga que eu não te observo). Seu cabelo tá meio desgrenhado. Sua boca carrega aquele sorriso de sempre: receptivo, galanteador. Passo por você sem te olhar, vou só apoiar o copo na cadeira. Nossos braços se esbarram. Droga. Só ia apoiar o copo. Sua mão segura meu braço. Sua barriga encosta nas minhas costas, nuas. Seu sorriso beija meu pescoço. Sua outra mão já sobe contornando minha cintura. Dou um gole no copo que não consegui apoiar na cadeira e penso: respira. Mas só consigo ouvir a sua respiração. Você me empurra até a parede. Minhas mãos e meu rosto encostam nela. Suas mãos e seu rosto descem do meu pescoço pelas minhas costas. Seus dedos alcançam minha calcinha, preta. Eles chegam ela pro lado, enquanto sua boca volta pro meu pescoço. Sem pressa você desliza seus dedos entre meus lábios, já molhados. Os seus, da boca, molham minha nuca. Já não consigo abrir meus olhos. Meus peitos, despidos, são pressionados contra a parede, gelada. Enquanto uma de suas mãos desliza pelo meu clitóris, a outra domina meus cabelos. Você vira minha cabeça pro lado e me beija. Não sei o que tá mais molhado, seus lábios de cima ou os meus de baixo. Enquanto sua língua entra macia na minha boca, seu dedo entra entre minhas pernas. O copo ainda está na minha mão. Vai ser só mais um gole. 

terça-feira, 24 de dezembro de 2019

meu bem

hoje
e sempre
te quero bem

terça-feira, 20 de agosto de 2019

podia ser uma canção do rubel

Pára.
Deixa esse celular de lado.
Repousa esse café na cabeceira.
Olha pra mim.
Lembra da cor dos meus olhos?
Não, meus cabelos não estão soltos, dei um nó neles.
Pode pegar na minha mão.
Eu sei que to um pouco gelada.
Tava frio lá fora, você ainda não me esquentou.
Me abraça.
Finge que o frio passa. 
Finge que o tempo não passa.

Pára.
Deixa esse celular de lado.
Repousa esse café na cabeceira.
Olha pra mim.
Lembra da cor da minha boca?
Não, ela não tá natural, passei batom vermelho.
Pode pegar na minha mão.
Você tá um pouco gelado.
Deve estar frio lá fora, ainda não te esquentei. 
Me abraça.
Finge que o frio passa.
Finge que o nosso tempo não passou.

Pára.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

terça-feira, 8 de maio de 2018

a gente

pensa só. você pode perder um braço, uma perna, o cabelo, a visão, a voz até. pode perder algum dedo, todos. pode perder o nariz, o olfato, o paladar. pode perder um tanto de coisa. mas percebe que você ainda é gente? você ainda tá vivo. você é pessoa viva. é ser humano. porque o que faz a gente ser gente, é nosso cérebro funcionar. é nosso coração bater. é nosso sangue correr nas veias. a gente é o que tá aqui dentro. o que a gente pensa, o que a gente 'fala', o que a gente sente, o que a gente 'faz'. a gente é o que a gente quer ser. a gente não é cor de pele, formato do cabelo, tamanho de barriga, menino porque tem piru, menina porque tem mais um buraco entre as pernas. a gente é diferente. a gente é tudo igual. a gente pensa, sente, tem fome, tem sono, faz xixi. a gente respira. transpira. por que a gente não se respeita? a gente tem um coração, um cérebro, muitas veias. a gente tem muitas religiões pra entender, muitas culturas pra conhecer, muito chão pra andar (o mundo é tão grande). a gente tem passado. a gente tem idealizações pro futuro. a gente é muito diferente. mas percebe como a gente é muito igual? a gente é humano. acima de tudo. apesar de tudo. por que a gente não se respeita?

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

o mar parece estar mais calmo

não faço ideia de que horas eram. mas acho que isso não importa. era madrugada e, claro, a gente tava junto. a sua cama ainda tinha o cheiro de sempre: seu perfume misturado com cigarro e bebida. dava pra ouvir o som do mar, lá longe. de resto eu só ouvia sua respiração. e como ela me acalmava. a gente tinha aquela mania de dizer que odiava dormir grudado, mas engraçado como sempre lembro da gente aninhado depois de uma noite de sexo. dormíamos assim, colados, você ainda dentro de mim. as horas talvez nos afastasse um pouco, mas nossas peles insistiam em se tocar. desconfio que elas se amassem mais do que a gente. não sei. e não sei por que estou escrevendo no passado. ao mesmo tempo que tento digitar sem fazer barulho, sinto sua perna entrelaçada na minha. hoje o mar parece estar mais calmo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

relatos selvagens de um segundo mês sem tomar pílula

meus dedos deslizavam por suas costas. minhas unhas dançavam sobre sua pele. iam de cima pra baixo, de um lado a outro. lentamente alcançaram sua nuca, seus cabelos. se perderam em meio aos fios pretos, bagunçados. meu corpo chegou mais pra perto do seu. minha mão alcançou sua barriga. meus dedos agora vagavam por seus músculos. por seus peitos. ao mesmo tempo que desciam, minha boca começou a beijar suas costas, seu pescoço. meu corpo se juntou ao seu, meus peitos se espremiam em sua pele. meus lábios e minha língua permaneciam entorpecidos por sua nuca, enquanto minha mão ultrapassava, dedo a dedo, a sua cueca.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

o mal da sociedade contemporânea

quem tem fome tem pressa
quem tem medo também

chuvas só têm barulho porque batem em uma superfície

tédio.
fechei os olhos e ouvi os pingos, que batiam em superfícies diversas: chão, janela, ar condicionado, carros.
não que chuva seja sinal de tédio, não que tédio seja um sinal.
abri os olhos e me deparei com cores em tons pastéis: branco, bege, marrom claro, vinho desbotado.
não que tons pastéis sejam sinal de tédio, não que tédio seja um sinal.
abri a boca e perguntei sobre o que escrever a uma amiga na varanda: tédio.
eis que chuva é sinal de tédio, assim como tons pastéis.

sábado, 1 de outubro de 2016

30 de abril de 2015

Hoje acordei apaixonada por você.
O peito chegava a estar apertado. A saudade latejava pelo meu corpo.
Foram oito horas de um filme de amor com direito a final feliz.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

that wasn't sex, that was naked poetry

terça-feira, 17 de novembro de 2015

os amados não amores

é engraçado como sofro a perda de um amor que sequer virou amor
dos tantos seres que já beijei, me relacionei, troquei mais do que palavras, todos levaram parte de mim ao partirem
levaram o nós que poderíamos ter sido
é bonito saber que pedacinhos meus estão por aí, nesses não amores momentaneamente apaixonantes

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

feito

feito água, escorro entre idéias
mergulho em sentimentos
me afogo em desilusões

feito pedra, me moldo com o tempo
rolo por diversos caminhos
me desfaço em pedaços ao perder pedaços de pessoas

feito gente, me perco em definições
me acho nas tentativas
me perco de novo, na imensidão dos outros

feito eu, me procuro em mim
me encontro em todos
e continuo a me procurar...

nov14

terça-feira, 18 de agosto de 2015

verde escura

Levantei da cama já sem sono. Puxei as cobertas que estavam presas embaixo de mim pro lado, fui me arrastando e botei os pés no chão. Passei pelo espelho enorme da parede: cabelos desgrenhados, calcinha e uma blusa larga sem manga. A porta já estava aberta, passei por ela e caminhei pelo pequeno corredor: banheiro. Acendi a luz. Espelho de novo: olheiras. A tampa do vaso já estava pra cima, um xixi antigo repousava na água parada. Abaixei a calcinha, sentei, xixi; novo. O xixi acabou, mas eu continuei ali, na mesma posição. O vaso é um dos meus lugares favoritos. Fiquei olhando pra frente, pensando na vida. Virei a cabeça pro lado e vi a pilha de cruzadinhas. Peguei a de cima. Procurei por uma página vazia. Achei. Completei as respostas, guardei a caneta e a cruzadinha. Já não tinha mais no que pensar nem o que fazer ali, no vaso. Papel higiênico. Três voltas. Uma única passada, o xixi não me sujou tanto e não saiu respingando pernas abaixo. Levantei a calcinha, levantei do vaso. Descarga. Decidi escovar os dentes. Olhei pro porta escovas. Verde escura... Verde escura... Minha escova não estava ali. Verde clara, rosa, branca. No lugar da verde escura: vazio. Por alguns segundos, pequenos, admito, fiquei aturdida. É tão mecânico olhar pro porta escovas e a minha escova verde escura estar ali. Nesse pequenos segundos fiquei sem reação e pensei: cadê a minha escova?? Quem pegou? Por quê? Me encarei no espelho: rápida retrospectiva. Fim de semana, viagem, mala... Mala! Saí do banheiro, passos um pouco mais acelerados. Pequeno corredor, porta aberta, quarto. Abri a mala que ainda estava jogada no chão, peguei a necessaire verde de bolinhas e arrastei o zíper. Lá estava ela, no fundo, serena, verde escura. Me olhei no espelho: três pulos pra são longuinho.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

amor x sexo

embora meu corpo esteja presente
minha mente vagueia
meu coração adormece
e por mais que meu desejo transpareça
meu sentimento esfria
nada além do vazio desse sexo me possui
então adormeço e faço amor:
nada como gozar por completo

(janeiro)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

mi sol

não sabiam qual direção tomar. iam da direita para a esquerda, de cima pra baixo. voltavam pra baixo. escorregavam, na maioria das vezes, de propósito. eram como loucos apaixonados, perdidos, determinados e transmitiam esse fervor. transmitiam amor. próprio, alheio, compartilhado. cada vez que se perdiam, criavam uma unicidade linda. os erros eram cada vez menos falhas. os acertos tomavam outras direções. quem os olhava, sorria. quem não os via, ouvia e sorria. porque mesmo de olhos fechados era possível acompanhar os dedos sobre as cordas do violão. era amor, em música.

9/06/15