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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Além

e então, como se a vida fosse muito mais do que o inimaginável do imaginável, eu não só via, ouvia ou sentia. eu ia além, e do além não se descreve, nem vê, ouve ou sente. e quando digo que fui além da vida, da imaginação, fui além de mim, de você, de Deus. fui além do Diabo. além do que existe e do que não existe. além dos opostos, além da dúvida, da certeza e da existência. e se eu fui além e aqui escrevo, eu voltei. e se eu voltei, eu não fui. porque ir além não tem volta e você nem sequer sabe que foi. eu apenas fui e, como todos, voltei. é uma puta palhaçada sonhar.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pesado

carrego comigo algo que não sei de onde vem
que não sei que nome tem
nem como chegou a mim
carrego comigo algo pesado e ao mesmo tempo leve
que me alivia e me desespera
mas simplesmente chega, eu querendo ou não
carrego comigo algo que me leva
que às vezes me cega
me confunde sentido e razão
carrego comigo algo que no fundo me carrega
que permanece e nega
enquanto meus pés anseiam somente por direção

domingo, 27 de novembro de 2011

O que é o alívio, se não a ausência?

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Apatia

eu digo que calo
poesias feitas à boca, à solta
não me satisfazem

eu calo perante o todo
o para todos, o comum,
não me atraem

eu totalizo o singular
provas de amor, de dor
não me surpreendem

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Memória

São como cubos. Não, melhor, são como linhas que se ligam e a partir de certo momento se desconectam. E se conectam. Talvez em mais de um ponto. E talvez se percam para sempre... Se desprendem e vagueiam sem rumo, esquecidas em meio ao vazio do pensamento. Mas essas linhas perdidas ocupam espaço? Esses pensamentos esquecidos se acumulam? Lotam nossa mente? Ou se são esquecidos se desfarelam, para sempre? Existe para sempre dentro da gente? Ou tudo pode ser resgatado? Esses fios nunca se desmancham? Ou será que nem mesmo se desprendem de fato de toda essa rede da memória?
Como é agradável poder deixar de lado aquele pensamento funesto, aquela memória desagradável, aquela dor passada. Tirar o peso das costas. Mas de fato elas sumiram? Ou ainda estão ali... Vagueando... Esperando para se ligar no próximo fio que ainda esteja conectado com toda essa teia mental? Ou talvez realmente não seja possível se unir novamente. Talvez de fato seja como se nunca tivesse existido. Ou talvez não precise estar ligado, atado, para se saber. Só de estar ali, vagueando, ocupando nosso espaço mente, exista. E saibamos que existe, ou já existiu.
Desde que eu saiba controlar os que me vêm à mente, fingir deixar de lado os que me atormentam, conseguir só unir os fios que me bem entenderem, está tudo bem. Não sou de remoer pensamentos. Deixo que eles me cheguem no momento último, quando não tenho como escapar deles porque os jogam na minha cara. Aí talvez ele se ate de novo. Encontre toda essa minha teia que segue a cada dia se ampliando e se soltando em pedaços que talvez nunca mais eu vá a me lembrar.
Quem sabe...

12/09/2011

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Preencha-me do mundo

parte de mim hoje parte
e sem dizer adeus me abandona como se nunca antes tivesse sido minha
essa parte não volta, eu sei
mas há outras partes que ainda podem crescer
(dentro de mim)
e desfazer a falta
que essa única parte me faz.


Porque parte de mim é você e parte de você... é mundo

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

foram dois ainda que uns
foram eles ainda que não deles
foram seres ainda que humanos
foram almas ainda que corpos
e assim serão: um só, tendo já sido dois
eles, tendo já sido deles

seres, com algo além de humano

almas, que um dia já foram um só corpo.

somos os mesmos. mas completamente outros.