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quinta-feira, 19 de julho de 2012
simplesmente complicados
por que todo conceito é um conceito?
fico imaginando o quão parecidos nós somos ao ponto de criarmos verdades universais.
vocês nao veem?
por exempolo, por que não se socializar é algo ruim?
só viver com a cara no computador, não falar ao vivo, não olhar ao vivo, não sentir o cheiro, não tocar?
por que?
"que pessoa anti-social"
e por que ser anti-social é 'errado'?
porque o ser humano nasceu para ser um ser sociável?
porque existimos para procriar e continuar existindo? então essa falta de afeto e proximidade nos extinguiria?
ou, se quiserem, outro exemplo: por que saber as coisas ou ser inteligente é algo bom? porque somos criaturas curiosas e devemos representar essa curiosidade de forma a compreendê-la e desvendá-la ao máximo? mas por que?
e se não saber, apenas viver, for tão bom quanto?
até porque toda duvida só existe se há uma verdade, senão não existiria a duvida em torno dela. mas aí vocês questionam já sabendo que alguma coisa vão encontrar? alguma resposta vão obter?
então não questione! ou questione o questionamento. ou não.
às vezes parece que já nascemos de fábrica com conceitos pré-estipulados e verdades pré-concebidas.
matar é errado. assim como roubar.
amar é ótimo. odiar é feio.
família é a base de tudo. (e talvez por isso também o que nos destrói)
amigos são para a vida toda.
comer bem é importante.
tentemos ser imortais!
mas se pararmos pra pensar, quanto mais ordens impormos para nós mesmos, maior é a probabilidade de nos decepcionarmos com nós mesmos. se já estipulamos que amar é o maior bem do homem, quando não amamos nos odiamos. e se odiar é feio, já pecamos em duplicidade! por não amar e por odiar não amar.
e quem não tem familia? ou quem deixa de ter?
que buraco na vida dessa pessoa, não? porque o esperado é se ter familia! você veio de alguém!
que vida infeliz... e a infelicidade é feia!
sempre sofremos em duplicidade?
e se você perde amigos, se afasta, o que há de errado com você?
porque alguma coisa há de ter. o ser humano é sociavel! queremos o bem do próximo e queremos ele perto da gente!
olhem quantas condições nós criamos e quebramos ao longo do tempo!
e percebo que vivemos disso!
nos decepcionamos porque nos deixamos decepcionar.
ficamos tristes porque construimos tal felicidade.
somos tristes por sermos gordos, porque decidimos aceitar/estipular que ser gordo é ruim.
somos deprimidos porque não somos sociáveis, porque é uma verdade nossa que ser sociável é a condição humana.
vivemos unificando as sensações e desejos humanos a ponto de seguir esse conceito geral de ser humano quando muitas vezes a verdade está apenas dentro da gente.
ou pelo menos poderia estar.
em parte.
tentamos achar coisas em comum entre todo ser humano pra poder taxá-las como fixas e princípios, quando na verdade tudo não parte da peculiaridade do que há dentro de cada um de nós.
mas não digo que não somos iguais.
não sou louca de ir contra a ciência e as características que nos designam homos sapiens sapiens.
não só as fisiológicas como as que nos são intrínsecas.
somos seres pensantes, fato, e isso nos torna inevitavelmente em seres errantes.
e duvidosos.
somos complexamente simples.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Espelho
Sinto lhe dizer que és mais eu do que pensas
És mais meu do que sentes
E menos seu do que queres ser
É com pesar que lhe informo que são meus os seus passos
Que são seus os meus trajetos
E nem meu nem nosso os nossos retornos
Infelizmente lhe falo que nada aqui dito é meu
Nada aqui refletido é o que enxergas
E muito menos o que tentas entender
Com certa relutância lhe admito que não és e nunca serás
Porque se és em mim como sou ao mundo
Me és
E eu, nada sou
(3/5/12)
És mais meu do que sentes
E menos seu do que queres ser
É com pesar que lhe informo que são meus os seus passos
Que são seus os meus trajetos
E nem meu nem nosso os nossos retornos
Infelizmente lhe falo que nada aqui dito é meu
Nada aqui refletido é o que enxergas
E muito menos o que tentas entender
Com certa relutância lhe admito que não és e nunca serás
Porque se és em mim como sou ao mundo
Me és
E eu, nada sou
(3/5/12)
sexta-feira, 1 de junho de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Para você
Não basta seu olhar me distrair
e não digo que me distraio de você,
me distraio do mundo
porque, mesmo que por alguns segundos, meu mundo é o seu olhar
E então me vejo presa aos seus lábios
meu olho, minha boca.
e dos seus lábios não restam pensamentos, nem dor
dos seus lábios só restam mais lábios, que não se bastam
E assim meu corpo procura pelo seu
e quando penso que ele se sacia ao enfim te encontrar
eu me perco mais e mais
e acabo por me afogar na imensidão da sua humanidade
Porque você é um pedaço de mundo
um pedaço, raro, do que há de humano no mundo
e é essa sua simplicidade,
essa ingenuidade do todo,
que me fazem a cada dia querer explorar mais desse seu mundo que já faz parte do meu.
e não digo que me distraio de você,
me distraio do mundo
porque, mesmo que por alguns segundos, meu mundo é o seu olhar
E então me vejo presa aos seus lábios
meu olho, minha boca.
e dos seus lábios não restam pensamentos, nem dor
dos seus lábios só restam mais lábios, que não se bastam
E assim meu corpo procura pelo seu
e quando penso que ele se sacia ao enfim te encontrar
eu me perco mais e mais
e acabo por me afogar na imensidão da sua humanidade
Porque você é um pedaço de mundo
um pedaço, raro, do que há de humano no mundo
e é essa sua simplicidade,
essa ingenuidade do todo,
que me fazem a cada dia querer explorar mais desse seu mundo que já faz parte do meu.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Sou o branco
É incrível como a cada dia vejo o quão menos me faço de mim.
como amadureço essa falta de personalidade própria em diversos eus que me rodeiam.
e fico cada dia mais tranquila.
não me perco dentro de mim, talvez dentro de todos vocês.
não me vejo sem caráter, sou apenas o que sinto e sou.
não me julgo, senão eu não seria.
e não espero que teceiros não me caracterizem. reconhecemos, fato.
mas se hoje me disserem que não me conheço, penso: pelo menos sei o quanto me conheço (ou que não e conheço).
pior seria me encontrar daqui a uns anos e ver que não sou nada do que parecia ou imaginava ser.
estou aberta a mudanças.
eu sou a mudança.
e quem tenta permanecer e acha que assim se encontra, está apenas se posicionando em um campo seguro de definição.
e como a definição nos tranquiliza... como sabermos, ou acharmos que sabemos, nos fortifica e dá a impressão de aí sim sermos algo.
porque como ser se não sabemos que somos?
mas eu arrisco ser sabendo que não sou.
porque sendo eu, sou eu. apenas.
mas não me sendo, sou você, eu e ele.
e não poderei me julgar, me criticar ou o que quer que seja.
pois não terei parâmetro.
quer jeito mais fácil de viver?
e por mim, já basta me chamar Bruna.
que lhes satisfaçam essa definição de mim.
quanto à mim verdadeiramente, continuarei a procura de mais eus que me completem ou me desencaixem, mas que me façam ver quantos eus ainda cabem dentro de mim.
como amadureço essa falta de personalidade própria em diversos eus que me rodeiam.
e fico cada dia mais tranquila.
não me perco dentro de mim, talvez dentro de todos vocês.
não me vejo sem caráter, sou apenas o que sinto e sou.
não me julgo, senão eu não seria.
e não espero que teceiros não me caracterizem. reconhecemos, fato.
mas se hoje me disserem que não me conheço, penso: pelo menos sei o quanto me conheço (ou que não e conheço).
pior seria me encontrar daqui a uns anos e ver que não sou nada do que parecia ou imaginava ser.
estou aberta a mudanças.
eu sou a mudança.
e quem tenta permanecer e acha que assim se encontra, está apenas se posicionando em um campo seguro de definição.
e como a definição nos tranquiliza... como sabermos, ou acharmos que sabemos, nos fortifica e dá a impressão de aí sim sermos algo.
porque como ser se não sabemos que somos?
mas eu arrisco ser sabendo que não sou.
porque sendo eu, sou eu. apenas.
mas não me sendo, sou você, eu e ele.
e não poderei me julgar, me criticar ou o que quer que seja.
pois não terei parâmetro.
quer jeito mais fácil de viver?
e por mim, já basta me chamar Bruna.
que lhes satisfaçam essa definição de mim.
quanto à mim verdadeiramente, continuarei a procura de mais eus que me completem ou me desencaixem, mas que me façam ver quantos eus ainda cabem dentro de mim.
Ela e eu
E quando deito e minha mente se afasta daquilo que durante todo o dia me roubava a atenção... não, eu não relaxava.
Ela ainda assim recorria a você.
E não me pergunte como era sempre você, ou por quê.
Ela (ou eu?) parece ter uma fixação pelo seu rosto, pelo seu cheiro, pela sua risada.
Ela (ou eu?) não esquece seu gosto, sua pele ou sua falta.
Sua falta é tão presente que ela te traz para mim a cada minuto.
Ela insiste em confundir tons de vozes com o seu, mãos com as suas, piadas com as nossas.
E ainda me faz não me achar em outro. Me deixa sozinha mesmo em meio à uma multidão de pessoas. Até eu não me basto.
Ela frisa e me faz frisar: cadê você?
E eu tento, eu corro, eu durmo, eu beijo, eu fujo.
Mas ela te tem com ela.
E então eu também te tenho.
Mas esse te ter não me completa e ela insiste em me fazer sair aos pedaços por aí.
E assim eu vou caminhando. Eu, ela.
E você.
Ela ainda assim recorria a você.
E não me pergunte como era sempre você, ou por quê.
Ela (ou eu?) parece ter uma fixação pelo seu rosto, pelo seu cheiro, pela sua risada.
Ela (ou eu?) não esquece seu gosto, sua pele ou sua falta.
Sua falta é tão presente que ela te traz para mim a cada minuto.
Ela insiste em confundir tons de vozes com o seu, mãos com as suas, piadas com as nossas.
E ainda me faz não me achar em outro. Me deixa sozinha mesmo em meio à uma multidão de pessoas. Até eu não me basto.
Ela frisa e me faz frisar: cadê você?
E eu tento, eu corro, eu durmo, eu beijo, eu fujo.
Mas ela te tem com ela.
E então eu também te tenho.
Mas esse te ter não me completa e ela insiste em me fazer sair aos pedaços por aí.
E assim eu vou caminhando. Eu, ela.
E você.
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