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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

what if

"Torturava-se com recriminações, mas terminou por se convencer de que era no fundo normal que não soubesse o que queria: nunca se pode saber aquilo que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores nem corrigi-la nas vidas posteriores. (...)

Não existe meio de verificar qual é a boa decisão, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado. Mas o que pode valer a vida, se o primeiro ensaio da vida já é a própria vida? É isso que faz com que a vida pareça sempre um esboço. No entanto, mesmo "esboço" não é a palavra
certa porque um esboço é sempre um projeto de alguma coisa, a preparação de um quadro, ao passo que o esboço que é a nossa vida não é o esboço de nada, é um esboço sem quadro.

Tomas repete para si mesmo o provérbio alemão: einmal ist keinmal, uma vez não conta, uma vez é nunca. Não poder viver senão uma vida é como não viver nunca."

Milan Kundera - "A insustentável leveza do ser"

domingo, 7 de novembro de 2010

tired feelings crazy hearts club band

Coração louco
Coração insano
impulsivo
admirador

Coração explorador
Coração temeroso
costurado
remendado

Coração esperançoso
Coração frágil
volúvel
instável

Coração insaciável
Coração certo de incertezas

confuso cansado

Coração meu.


Paixoes sólidas de amores líquidos.
Eis a insustentável leveza do (meu) ser.


tired of not falling. eu quero algo fora do meu controle.
eu quero subordinação. quero querer não querer e ainda assim querer.
quero que me roubem de mim. que me roubem meu amor próprio. diminuam o peso de ser eu comigo mesma. quero precisar, querer, desejar, não ter opção.
quero acreditar no amor. numa paixão que não acho. um conforto possessivo. uma possessividade confortante.
quero ter ciúmes, quero dividir. quero me entregar.
quero querer isso tudo sem querer.
how can i? "Help!"

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

let it

a new post
a new day
a new smile
a new sky
a new sea
a new look
a new head
a new smell
a new tree
a new bird
a new walk
a new life on a post of a day that you smile with the sky upon the sea looking inside my head and smelling the tree where a bird black just walked until it flys away.
was a post
was a day
was a smile
was a sky
was a sea
was a look
was a head
was a tree
was a bird
was a walk
was a life, just was, and will never be again at the life we all are and we all will were. soon.

everybody was, are, will be and would be one day.

was new just be [be new was just]

be.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

sou

eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu
eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu eu

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

ia

o sol batia
a rua ruía
o vento? ria!

o corpo doía
a mão batia
a boca? ria!

o amor ruía
a dor batia
a mente?

Ria!

o sol ria
o vento ruía
a rua? batia!

o corpo ria
a mão doía
a boca? batia!

o amor ria
a dor ruía
E a mente?


ia.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

USI

Às vezes vocês também sentem como se o conhecimento limitasse, condissionasse, ao invés de enriquecer? Muitas vezes me pego rejeitando livros, aulas de filosofia, textos, por me sentir influenciada por suas idéias. Não sei se me cansei do pensamento condicionado, se me irritei com as idéias já prontas, se esgotei meu estoque de princípios de conceitos. Seria uma tentativa de me desgarrar dos princípios, dos axiomas, das premissas? Como partir do zero, se o zero já é um ponto de partida? Minha mente já é condicionada, minhas externidades já internas me influenciam, meus conhecimentos já adquiridos latejam, o questionamento começa a entrar em extinção na selva do meu cérebro. O conhecimento só vem de fora? Do compartilhar? Só saberei lendo, vendo, ouvindo, vivendo? E os primeiros que não compartilharam leram, viram? Se eu me trancasse num cômodo, eu e minha mente, eu e a dedução, a indução, a dedução induzida, a indução deduzida. Como é possível gente? Como é possível o pioneirismo? O inédito? A criação? Não é tudo transformado, transmitido, evoluído? Conseguiria eu ler outros pensamentos sem me influenciar? Conseguiria eu me externar da mente do outro e questioná-la? Ou pelo contrário: conseguiria eu entrar na mente do outro e entender suas tendências, crenças, seu meio, sua época? Tenho medo de ser feita de outros. De ter em mim, nada meu de fato. De ser uma aglomeração de eus externos. De ser um pouco Nietzsche, um pouco Popper, um pouco Fernando Pessoa, Chico Buarque, 'Carrie', Hitler, Globo... Um muito de poucos. Eu só sou eu pela aceitação e rejeição do que os outros foram e são. Sou o que capto e sigo de uns, o que vejo e rejeito de outros. Sou uma máquina de seleção. E me formo e defino a partir dela. Eu me defino enquanto procuro definição (ou enquanto corro dela). Queria poder ser uma máquina de criar idéias, mas a máquina já é uma idéia. A idéia acaba não sendo criada. Idéias condicionadas desde que temos a chance de termos idéias... Que seja, encontro marcado com Kant as 23h no Eldredom. Conseguirei eu não cair nas suas cantadas ou acabarei totalmente influenciada por seu charme alemão? (Que Nietzsche me surpreenda semana que vem e que Rousseau me encante com seu romantismo liberal... Porque pensando bem, eu to mais é pra casos de uma noite só).

quinta-feira, 29 de abril de 2010

?

Sabe quando você quer fazer alguma coisa diferente, mas você se dá conta de que diferente hoje em dia á quase impossível? Ou melhor, que na verdade tudo que você pensou de diferente já certamente foi pensado por alguém no mundo? Que nada é inusitado, único e criativo? Então, eu sou/estou assim. Pra começar, eu deveria inevitavelmente acreditar em mim, acreditar no meu 'projeto' e fazer ele dar certo antes de tentar fazer ele dar certo para os outros. Mas eu não consigo acreditar nas minhas idéias, na minha autenticidade, na criação de um novo, num mundo 'velho'. Sou uma desestimulada num meio de turbilhões de criações estimuladíssimas. Mas não quero ser assim! Quero levar fé em um pensamento, fazer ele acontecer dentro de mim e dos outros! Me empenhar por algo que acreditarei dar certo, sei lá... Seria estímulo? E por que diabos não me estimulo por mim mesma? Preciso de esforços externos para acreditar em mim? Isso me irrita... E vejo o tempo passando, a vida passando, as pessoas passsando, a rotina me tomando, a pequenez do meu mundo me cercando... Porque estou deixando ser cercada! Não quero viver com um só olhar da vida! Não quero me fechar em apenas um esteriotipo, experimentar só do meu mundo, me definir e me enclausurar nas características e ações dessa minha definição social e de personalidade. Quero oscilar em tudo, todos. A definição limita. E me sufoca. Acho que por isso não gosto de começar uma coisa que me force responsabilidade eterna ou que desenhe, planeje meu futuro, esclarecendo ele, o definindo! Como, por exemplo, a economia. Eu faço economia hoje para exercê-la amanhã e me sustentar disso, e me atrasar pra buscar meus futuros filhos por isso, me estressar com a queda da bolsa de NY por isso, e ser uma pessoa escritório, dinheiro, carros, trabalho, casa, megalólopes, calculadora, por isso! Quero ser isso? Tudo bem, em parte quero. Mas quero ser muito mais! Quero ser pintora, fotógrafa, dançarina, atriz, quero tocar saxofone, quero cuidar de animais, quero nadar com golfinhos, quero passar semanas numa outra cultura, quero poder viver de arte, ser reconhecida por pensamentos, idéias, feitos, quero o mundo. É querer demais né? Êta ganância... Mas pensando bem, nao é. O mundo está aí pra mim, feito, redondo, acessível. Minha vida está no mundo, as outras vidas que vivem ao mesmo tempo que a minha estão aí também... Vamos nos conhecer! É tanto pra compartilhar e tão pouca coragem pra oferecer e receber... É querer ir e ficar; é explorar o de fora e querer explorar ainda mais o de dentro; é família, é desconhecido; é casa, conforto e rua, descoberta; é amor e paixão; é... É tanta coisa! É tanta coisa construída até hoje que vai ser temporariamente 'desconstruída' ou posta em aluguel. É tanto conceito social que vai se abstrair, é tanto conceito familiar, e por que sempre ter que escolher entre? Quero tudo! Quero ambos! Quero poder viajar e estar em casa; poder viver nessa 'sociedade fútil', ser fútil, e ser alternativa; dançar hip hop em boate de patricinhas e me acabar em boates de hiphop 'de raiz'; ouvir um bom reggae no Convés, e ouvir o mesmo num carro indo pra Búzios; beber um chopp na lapa, um shot no leblon; botar um salto alto estilo prada e havaianas não anatômicas; ouvir um cover dos Beatles e Bicho Solto no Goa; ser fascinada por Harry Potter, pela saga Crepúsculo e apreciar os suspenses de Agatha Christie, a Budapeste de Chico, o anticristo de Nietzsche; Pista 3 na sexta, Baronneti no sábado? É tao ruim assim querer de tudo um pouco ou muito de tudo? Eu quero é provar do que me é oferecido! Eu quero viver o que cada um nesse mundo pode viver, não só o que está aos meus pés. Quero compartilhar! Quero ouvir pensamentos, ver gestos, sentir brisas, sofrer dores, amar paixões! Quero tanto... E no final das contas acabo sentada numa cama, em Icaraí, Niterói, Rio de janeiro, Brasil, América do Sul, postando minhas vontades e anseios num blog. Enfim, que minha mente vagueie... até então. (: