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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Se somos nós, quem são eles?

quarta-feira, 18 de maio de 2011

entre querer e nao querer
quero


entre eu e voce


nos


entre me querer e te querer


nos quero

terça-feira, 17 de maio de 2011

presente

e se sente.
e se mente.

que se tente,
se ausente!

se sente...
e mente.

mente porque sente,
sente porque...

sente

terça-feira, 3 de maio de 2011

Não consegui escrever o que eu queria. Ou como eu queria. Título: Não desperdiçando pensamentos, palavras. Dica: não disperdice seu tempo, palavras.

Já escrevi sobre saudade?
Quem já não escreveu sobre saudade?
Que sejam aqueles textos vangloriando essa palavra únicamente brasileira, sejam os de um amor perdido, o de tempos idos, os de distância física, os de cheiros, gostos...
E hoje eu quero falar de mais de uma dessa saudade.
E não quero falar poeticamente, em texto arrumado, gostoso de ser lido, bonito...
Quero só falar. Sair cutucando essas teclas aqui e escrever.
Quero ter esse ímpeto, assim como a saudade tem de entrar em mim sem eu querer.
Ou eu quero?
Lá vou eu entrar em outros campos... Não, não vou.
Saudade.
Saudades.
Saúde. Saúde do que? Do sentimento? De saber que sentimos e ao setirmos sentimos a falta de sentir algo?
Pulemos a morfologia (minha) da palavra.
Vamos à sua semântica.
Eu estou com saudades.
E digo no plural mesmo, porque virei um poço de saudades.
Virei uma saudade ambulante, ou melhor, um corpo rodeado de 'fatores saudosísticos'.
Tudo parece me remeter à saudade.
Eu odeio saber do ido, do foi, do era, do vai passar, melhor, do passado.
E odeio, ao mesmo tempo, saber do ir (porque me remete que o que sou vai ser foi). Ou seja, o futuro me alerta que o presente é passado. E acaba que tudo vira passado antes mesmo de ser futuro, ou, mais precisamente, presente.
Mas nem sempre penso assim. Porque se assim o fosse não sentiria saudades. Saberia que tal coisa aconteceria, tal pessoa voltaria, tal sentimento passaria. Ou não.
Poderia ter saudades do que poderia ser e nunca será, aquela saudade que existe mesmo antes de existir motivo da saudade. Só sua hipótese.
Essa é chata... É o: como seria se fosse.
Mas talvez não doa tanto quanto o: foi e não vai ser mais.
Porque nesse caso você sentiu o que era e o que não poderá ser mais.
É... Não sei.
Pensando bem, dá pra ser as duas ao mesmo tempo. Dá pra ser como seria se fosse e foi e não vai ser mais (não por enquanto).
E essa tá me sugando por enquanto.
Também tem a saudade alheia. A que vem junto, ou por causa, da compaixão.
Aquela saudade do outro que você sente pela pessoa.
A falta que ela faria e que você acaba sabendo como vai ser.
A saudade de terceiros...
E tem a saudade do que você sabe que seria se não fosse alguma coisa.
Não, não é igual a: como seria se fosse.
Você, nesse caso, já sabe como seria. Você tem tudo ali planejado, claro na sua frente, mas não acontece.
E você sabe como é, mesmo não sendo. E acaba sofrendo a saudade daquilo que você sabia como era sem ter sido.

Tudo bem, a saudade dos tempos idos. Essa eu já tenho como íntima. Sofro do "mal do Peter Pan".
Nunca quis crescer, nunca quis sair da escola, nunca quis ser maior de idade, gozar dos privilégios da maturidade.
Por mim estagnaria os momentos, as sensações.
Mentira, não mesmo.
Mas eu odeio o "nunca mais" e me perdoem os fanáticos pelo: 'nunca diga nunca', mas nunca mais viveremos militricamente igual nenhum momento da nossa vida. Nem em memória. Nossa! Nossa memória é uma ladra, uma diretora renomadíssima. A minha memória nesse caso uma péssima diretora, porque mais degrada as cenas do que as soma.
Não lembro das coisas direito, das sensações, dos costumes, das particularidades.
Tudo me vem à mente como um filme antigo visto, sendo eu a personagem principal. (E em preto e branco, e cortado, e falhado e sem som e cheiro e... acabo inventando um passado).
Tudo bem, sou uma acumulação de tudo que já vivi. Mas de verdade só consto esse fato como verdadeito por fotos. "Ah sim, era eu". Porque por memória e compaixão por tempos passados, estou zerada.
E acabo por sentir falta disso. (Não dos tempos passados relembráveis, uma vez que deles lembro pouco) Mas do que eu sei que eu lembraria e de como eu não queria que nada passasse.
Sinto saudade de sentir o que eu sei que já senti.
Sinto saudade da inocência, do inusitado, do "pela primeira vez", da descoberta.
Sinto saudade às vezes de sentir.
Sinto saudade por antecipação.
Vivo o momento presente enxergando ele como passado e acabo por não viver ele de fato.
Estrago espontaneidades, racionalizo sentimentos.
Eu sou uma retardada.
Acho que minha vida é um filme e saio prevendo ele, tentando direcioná-lo conforme minha mente.
Sinto saudade de não dirigir.
Mas admito que não gostei de perder o controle da direção.
Sou hipócrita. (Mas você também.)
Sinto saudade de ser hipócrita sem saber.
Sinto saudade de ter convicções (mesmo que erradas).
E o que é certo e errado?
Sinto saudade de não ter dúvidas. (Mentira)
Sinto saudade de não mentir pra mim mesma.
Sinto saudade de pessoas.
E essas são físicas, doem.
Sinto saudade do que elas me proporcionavam.
Sinto saudade do que elas pararam de poder proporcionar.
Do que elas poderiam ter proporcionado.
Sinto saudade de dormir.
E durmo.

(Já sinto saudade de dormir: já me vejo acordando)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Cena do café da manhã de um filme não feito

Cozinha. Pessoas no café da manhã. Ações cotidianas. Conversas encobertas por La traviatta. Uma cozinha. Cabelos negros, cabelos loiros. Conversa; La Traviatta. Foco: Olho castanho oblíquo. Foco: Olho verde intenso. Mãos, xícara, pães, o tilintar do talher, patê, açúcar, xícara, café. Azulejo. A day in the life 4'20'' - 4'46''. Silêncio, no hay banda. . Foco: Olho castanho confuso. Movimeta-se de um lado para outro, inquietante. Foco: olho verde estático.



Câmera amplia a cena, gradativamente. Inércia.






Eis o mundo. Estático.




Eis os cabelos negros e olhos castanhos, apavorados.
















youtube.com/watch?v=D8EyZp5jbeQ



youtube.com/watch?v=FCUeia-nEio&feature=related








Por: Brunas (Andrade e Schelb)
12/12/2010

(Happy Birthday Schelmann!)

sábado, 9 de abril de 2011

Nightmare

(Mum) - It's time for bed.


(Son) - Can i dream?


(TV Awake) - Dream is sleeping.

terça-feira, 29 de março de 2011

let's eat each other

nós não fomos feitos um para o outro.
minhas unhas cravadas em sua pele e seus dedos na minha, nada mais são que a demonstração de uma necessidade em nos possuirmos.
queremos nos obrigar a sê-lo.
nosso gosto definitivamente não combina.
a sincronia e levada dos seus sons são abafados pela falta de nitidez e poesia dos meus.
não adianta, nós não nos merecemos.
sua religião não aceita a minha, já minha religião aceita todas: não tenho uma.
sua esperança exacerbada encolhe cada vez mais meu pessimismo, que acaba por naufragar dentro de mim mesma me afastando cada vez mais da superfície.
nós nem sequer comemos a mesma coisa. de um lado peixe cru e de outro sangue de vaca.
de um lado você, de outro eu.
só isso nos aproxima.
seu gosto por mim e meu gosto por você.